Unicamp usa prototipagem em processo de produção de novos materiais e energia

 

A prototipagem rápida pode ser aplicada até mesmo na fabricação de componentes que farão parte da produção de materiais com propriedades específicas, mais eficiente e sustentável a partir de fontes renováveis. Esta é uma das aplicações do Laboratório de Otimização, Projeto e Controle Avançado (LOPCA) da Faculdade de Engenharia Química na Unicamp, oferecidas pelo Sistema Vantage S, fabricada pela Stratasys e fornecida à instituição pela SISGRAPH.

Rubens Maciel Filho (Professor Titular e Coordenador do LOPCA) e André Jardini (Pesquisador Sênior  do LOPCA), da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, informam que o LOPCA adquiriu recentemente uma máquina de prototipagem rápida com tecnologia FDM (Fused Deposition Modeling ou Deposição de Material Fundido). “Esse equipamento será empregado na fabricação de microreatores e sistemas incorporados para a tecnologia de processo microquímico orientada a uma produção eficiente e sustentável de energia e dos materiais nos mais diversos ramos da indústria”.

Maciel Filho e Jardini explicam que os microreatores e os dispositivos microfluídicos vêm surgindo como solução na realização de reações químicas em microcanais para a descoberta de medicamentos ou produção de produtos químicos especializados, ou até mesmo como suporte para o desenvolvimento de novas energias, além da instrumentação e análise para diagnóstico molecular.

Maciel Filho explica que com a tecnologia de microreatores é possível desenvolver novos materiais de forma mais rápida e mais eficiente, sem a geração de resíduos e de forma mais econômica. “Com a tecnologia de micro-reatores há vantagens mesmo na obtenção de materiais já existentes, porém com propriedade controladas para finalidades específicas e através de fontes renováveis”.

ECONOMIA DE 80% DE TEMPO E CUSTOS

Segundo os pesquisadores da Unicamp, a miniaturização de componentes e de sistemas é uma tendência global dos setores tecnológicos mais avançados. “Nas últimas décadas, têm surgido necessidades cada vez maiores de microcomponentes e de microestruturas, dado o constante aumento do número de aplicações técnicas nas mais diversas áreas da química fina, biomedicina, farmacêutica, microeletrônica, telecomunicações, indústria automotiva e aeroespacial, entre outras”.

Para se atingir os objetivos deste projeto, diz Jardini, a máquina FDM fornece um meio rápido e preciso para a fabricação e design dos microreatores. “Estimamos uma economia de 80% do tempo e custos no ciclo de desenvolvimento de microreatores com microdetalhes internos (cavidades e microcanais) e resolução espacial micrométrica”.

O LOPCA realiza pesquisas científicas com o uso da tecnologia de prototipagem rápida, presta serviços nas áreas de Engenharia, Design e Saúde e, principalmente, realiza parcerias com a iniciativa privada, utilizando inclusive mecanismos de financiamentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (programa PIPE e PITE) para o desenvolvimento destes projetos.

BEM ESTAR DA POPULAÇÃO

Na opinião de Jardini, oferecer aos alunos a possibilidade do contato com tecnologias como a prototipagem rápida só traz benefícios. “Devido à escala da microquímica, o desenvolvimento da tecnologia de processo microquímico ainda enfrenta muitos desafios, ao mesmo tempo em que trouxe novos questionamentos para o meio científico. Na conversão da dimensão macro para micro existem diversos desafios científicos a serem pesquisados e novos processos para serem  desenvolvidos. Este cenário é interessante para trabalhos conjuntos entre alunos de graduação e pós-graduação com pesquisadores e professores experientes, trazendo assim, uma incessante procura por novos descobrimentos, alternativas e desenvolvimentos úteis a sociedade e ao bem estar e melhora na qualidade de vida da população”.

Para o pesquisador da Unicamp, a procura incessante de novos caminhos, novos destinos e novas ferramentas, faz evoluir o conhecimento da comunidade científica da Universidade em suas diversas áreas desde a Engenharia, Arquitetura, Saúde, Biologia, Física e Química, entre outras.

A IMPORTÃNCIA DA MICROQUÍMICA

Jardini conta que a tecnologia micro-química representa uma fronteira nova, nascida no início dos anos de 1990. “Esta tecnologia foca no estudo de processos de engenharia química e nos princípios dos microequipamentos e microsistemas. Por causa da pequena dimensão dos microreatores, as áreas superficiais específicas aumentam, o efeito de superfície se intensifica e os fenômenos de transporte (vazão, transferência térmica e transferência de massa) conduzem a aumentos notáveis nas taxas de transferência, que excedem de dois a três ordens de grandeza, àquelas dos equipamentos de tamanho convencional”. 

A aplicação da tecnologia microquímica vai melhorar muito a eficiência dos sistemas de processo e reduzir seu volume e massa. “As dimensões usuais do processo químico são normalmente de larga escala, visando redução do custo de produção. O processo microquímico, no entanto, dá prioridade a eficiência, velocidade, flexibilidade e a redução de massa”.

O sistema de engenharia microquímica pode ser concebido em estruturas modulares, com etapas de produção separadas fisicamente, adequando-se às demandas de produção, suprimento de materiais, reduzindo estoque, operações de transporte e com maior segurança operacional, otimizando a utilização dos diversos recursos.

“O processo da microquímica deverá evoluir da mesma forma que a microeletrônica e seu desenvolvimento exercerá uma influência revolucionária na engenharia química”.